3 MATERIAL E MÉTODO
Este trabalho foi realizado no Centro de Cirurgia
Experimental do Instituto de Pesquisas Médicas
(Ipem) do Hospital Universitário Evangélico
de Curitiba (Huec), Instituto de Tecnologia do Paraná
(Tecpar), Laboratório de Patologia Experimental
da Puc-PR e Centro Paranaense de Oftalmologia (CPO)
- Curitiba, onde coletaram-se dados para planimetria
digital e histologia.
Os animais foram transportados do Ipem para o CPO,
em gaiolas apropriadas, onde foi instalado o aparelho
de laser de Erbium:YAG para a realização
do procedimento cirúrgico, retornando ao
local de origem após o término deste.
Foram aplicadas as Normas para Apresentação
de Documentos Científicos da Universidade
Federal do Paraná e Instituto Paranaense
de Desenvolvimento Econômico e Social (2001),
utilizada a Nomina Anatômica Veterinaria (1983)
e os princípios éticos em experimentação
animal preconizados pelo Colégio Brasileiro
de Experimentação Animal, instituição
filiada ao Internacional Council for Laboratory
Animal Science.
Este trabalho foi aprovado pelo comitê de
ética em pesquisa da Sociedade Evangélica
Beneficiente de Curitiba
3.1 AMOSTRA
Foram utilizados 35 ratos Wistar (Ratus Norvegicus
albinus, Rodentia mammalia), machos, adultos, entre
110 e 130 dias de vida, com peso entre 250 e 300
gramas no início do experimento, sem doenças
prévias, procedentes do biotério do
Tecpar.
Os animais foram separados aleatoriamente em cinco
ratos por gaiola. Estes foram identificados com
tatuagem em suas caudas com tinta atóxica
(azul de metileno) e as gaiolas com etiquetas em
suas paredes externas.
3.2 PRÉ-OPERATÓRIO
Os animais foram mantidos no biotério do
Ipem, em gaiolas específicas para este fim,
em temperatura ambiente, com livre acesso à
água potável e ração
de origem industrial padronizada. Cumpriram ciclo
normal dia e noite e jejum pré-operatório
de 12 horas anterior ao procedimento.
Para a pesagem utilizou-se balança eletrônica,
modelo V-1200 (ACCULAB). A pesagem foi efetuada
em todos os animais vivos de todos os grupos.
Um dia antes do procedimento cirúrgico, após
anestesia, cada animal foi posicionado em decúbito
ventral para a realização da tricotomia
com lâmina de aço inoxidável
(Gilletteâ - Gillette do Brasil Ltda) de toda
a região toraco-dorsal. Com carimbo confeccionado
para este fim, foram marcadas duas figuras de 22
x 22 mm na região tricotomizada, respeitando-se
a distância mínima de 15 mm entre elas.
Os parâmetros para demarcação
das figuras foram: superiormente o ângulo
inferior das escápulas, inferiormente às
cristas ilíacas e centralizados medialmente
sobre a coluna vertebral. Denominou-se estas figuras
de controle (posição cefálica)
e experimento (posição caudal).
As figuras anteriormente marcadas com carimbo foram
tatuadas com tinta de natureza atóxica. Foram
tatuadas também barras na cauda dos animais
(I a IIIII) para identificação de
cada animal dentro de seu grupo.
FIGURA 1 - FOTOGRAFIA DO ANIMAL
TATUADO
NOTA: Figura controle (C) em posição
cefálica e figura experimento (E) em posição
caudal e a identificação com linhas
transversais na cauda (II).
Para a obtenção da contração
tecidual foi estipulado que o plano vertical seguiria
uma linha imaginária paralela à coluna
vertebral (crânio-caudal) e o plano horizontal
perpendicular à oluna vertebral (latero-lateral)
(Figura 2).
FIGURA 2 - ANIMAL APÓS TRICOTOMIA
COM O PLANO VERTICAL E HORIZONTAL
Os animais (n=35) foram divididos em 7 grupos
(G1 a G7), com cinco animais cada. Os ratos dos
grupos G1 (1 aplicação) , G2 (2 aplicações)
e G3 (3 aplicações) receberam aplicações
sucessivas de laser, os quais foram submetidos a
ressecção de peça cirúrgica
para estudo morfométrico e histológico.
O estudo da contração foi realizado
nos animais dos grupos G3 a G7 (n=25), os quais
foram submetidos às 3 aplicações
sucessivas do laser e por aposição
de folha de transparência, entre cada aplicação
do laser, obteve-se cópia das figuras experimento
e figuras controle.
3.3 ANESTESIA
Os animais foram anestesiados com éter sulfúrico,
via inalatória, com ventilação
espontânea (Figura 1). As vias aéreas
foram mantidas pérvias para se evitar morte
por asfixia. O nível anestésico foi
controlado por observação direta do
padrão respiratório e da imobilidade
do animal. Cada animal foi colocado sob uma campânula
de vidro, que continha algodão embebido em
éter sulfúrico, na qual permaneceu
em sistema fechado pelo tempo médio de cinco
minutos, até a obtenção de
plano anestésico. Considerou-se o animal
anestesiado quando este se apresentava imóvel
ao manuseio e manteve-se a anestesia com mascara
em sistema semi-fechado durante os procedimentos.
Figura 3 - ANESTESIA DO ANIMAL.
3.4 PROCEDIMENTO OPERATÓRIO
Tomou-se o cuidado de utilizar salas separadas para
o procedimento anestésico e a aplicação
do laser. Na sala destinada à utilização
do laser foram respeitadas as normas de segurança
quanto a sua utilização (óculos
de proteção) e prevenção
de explosões, não se utilizando comburentes
(gás oxigênio) ou combustíveis
(substâncias voláteis, como álcool
ou éter) no mesmo ambiente.
O aparelho de laser Erbium-YAG (ESC Medical Systems
Ltd., (Yokneam Industrial Park, Israel) ( Figura
4), foi programado nos seguintes parâmetros:
Energia - 1,5 J e potência de 1,7 W, fluência
de 21,4 J/cm2, tamanho do ponto do laser de 3mm
sendo utilizado um gerador de padrões computadorizados
(CPG), com regulagens: formato quadrado, tamanho
10, freqüência de repetição
de 20 pps (pulsos por segundo), ângulo 0 e
sobreposição de 30% (figuras 5).
FIGURA 4 - APARELHO DE ERBIUM: YAG
FIGURA 5 - PARÂMETROS UTILIZADOS
NO ESTUDO
As figuras experimentos receberam três aplicações
sucessivas de laser, não recebendo qualquer
método hemostático ou limpeza entre
cada passada. Foram coletados dados para a planimetria
digital através de cópia das figuras
controle e experimento por aposição
de transparências.
Após cada aplicação de laser
obteve-se amostras de tecido para o estudo histológico
e morfométrico comparativo de cada aplicação.
Tomou-se o cuidado de não ultrapassar cinco
minutos das aplicações do laser, para
evitar a ocorrência de edema que prejudicasse
a morfometria.
Foram demarcados os fragmentos de tecidos a serem
excisados para estudo morfométrico, contendo
a figura experimento e a figura controle. Usando
pinça anatômica e bisturi de lâmina
número 20, foram ressecadas fragmentos retângulares